Quatorze anos depois de passar pelo processo de impeachment no Congresso Nacional, o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) fez hoje seu primeiro discurso como senador e disse querer "passar a limpo" o episódio que resultou na perda de seus direitos políticos.
"Os episódios que aqui vou rememorar obrigaram-me a padecer calado e causaram mossas na minha alma e cicatrizes no meu coração. Fui acusado sem provas, insultado e humilhado durante meses a fio. Tive minha condenação antes mesmo de qualquer julgamento. (...) Hoje, passados 17 anos de minha posse na Presidência da República, volto à atividade política integrando esta augusta Casa, a mesma que a interrompeu por decisão dos ilustres membros que a compunham", afirmou.
Collor alegou que a CPI recomendou a sua perda de mandato presidencial sem nenhuma evidência de que estivesse envolvido em ações de corrupção. "Se não fui notificado, indiciado, como acusar quem não foi objeto de investigação? (...) A mim, nem o benefício da dúvida foi concedido", disse.
O senador usou palavras como "arbítrio", "prepotência", "grande farsa" e "falsidade" para se referir ao episódio do impeachment. Collor alegou inocência e se disse injustiçado com a perda do mandato. "Declaro a minha absoluta inocência ante as imputações que, ao longo de todo o processo, me foram feitas, sem consistência, sem comprovação e sem nenhum fundamento. Fui afastado na suposição --e tão somente na suposição-- de que as acusações que me fizeram fossem verdadeiras", afirmou.
Collor chegou ao plenário acompanhado da mulher, Caroline, e em diversos momentos embargou a voz ao rememorar o episódio do impeachment.
Fico pensando, se ele se sente prejudicado que entre porque não entra com uma ação de perdas e danos contra o governo?
Quem cala consente!
quinta-feira, março 15, 2007
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