segunda-feira, março 12, 2007

Cronica do crescimento pifio

Outro dia, numa cidade do interior do Nordeste, o Lions Club premiou as dez empresas que mais cresceram em 2006. A vencedora foi um rede supermercado que atende a região (8 filiais).

O supermercado cresceu cerca de 5% em 2006.

Mas o Sr. Manoel Raimundo, dono de uma bodega inaugurada no início do ano, reclamou da discriminação, ele está reivindicando o prêmio; pois seu estabelecimento comercial cresceu mais de 200% desde que foi criado, em maio, até dezembro de 2006. Na verdade ele quase triplicou o movimento. Só de cachaça, que vendia, inicialmente, 3 garrafas diárias, alcançou uma tiragem média de 12 por dia.

A bodega de seu Manoel Raimundo foi um tremendo sucesso.

Uma cerâmica da cidade ficou em décimo lugar na premiação do Lions, com um cescimento de apenas 2,6%. É a maior da região. Movimenta aproximadamente R$258 milhões anuais, até exporta seus produtos para 9 países. Mas o incompetente do dono deve estar morrendo de inveja de seu Manoel Raimundo e tantos outros bodegueiros que cresceram muito mais que sua indústria, no mesmo período.

Escrita por Fernando S. Campos

http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=17517419816430122687


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Os critícos da democracia

Desacostumados com a democracia, com a participação popular as viúvas da ditadura pregam a volta dos militares, dizendo que naquela época era tudo melhor.

Noto que a cada dia aumentam os nostálgicos dos regimes fortes e centralizadores, consequencia deixada pelos anos FHC, que na minha opinião superou os horrores da ditadura militar.

Criticam Lula porque ele é democrático, ouve o povo, e é extremamente moderno.

Os inimigos da Pátria dizem que ele muda sempre de opinião, mas na verdade isso mostra sua humildade e sua análise em todos os casos, e não aquela opinião empacada, imutável. Lula é um líder popular nato, de prestígio inquestionável.

Alvissareira a política brasileira, após a implantação de uma administração democrática e participativa de Lula a partir de 2003.

Não há represálias, não há perseguições. Todos participam, independentemente de credo, cor, ou opinião. Todos são iguais, gostem de Paulo, Arlindo, Pedro, Aldo, Fulano ou Beltrano.

Não brinquem com a democracia, isso é uma coisa muito séria.

(Mauro Hiroshi Araki)

O imperador Magá

O imperador Magá", crônica, junho de 2006.
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Antonio Carlos Peixoto Magalhães, também conhecido pela alcunha de Toninho Malvadeza, ou simplesmente ACM, é um velho senador da família pefelista. Há alguns anos, o poderoso chefão baiano vem enganando o satanás, pois sua alma foi penhorada por dívida a Lúcifer, que lhe concedeu o título e poderes de "capo dei capi" (chefe de todos os chefes) das máfias brasileiras, com prazo de validade vencido no final do período da ditadura militar que vigorou no Brasil a partir de 1964 e prorrogado por tempo indeterminado. Numa das tentativas de cobrar sua dívida, Lúcifer submeteu ACM a um infarto, porém ele foi operado e recebeu o implante de duas pontes de safena e duas mamárias. O Príncipe das Trevas mandou apedrejar seus rins, contudo o velho foi operado em Londres, quando lhe retiraram três cálculos renais. Os capetas responsáveis por doenças do sistema respiratório andaram atanazando-lhe, porém o velho ACM pediu a Belzebu para permanecer na Terra até preparar seu sucessor. O demônio-chefe gostou da idéia e até indicou-lhe um dos seus netos para a escola de formação de diabos encarnados.

Por orientação do Reino dos Céus, quando Deus ainda exercia alguma influência sobre ACM, este se formou médico; porém, ao estabelecer o pacto com o Reino das Trevas, abandonou a profissão para assumir funções mais apropriadas aos desígnios de Satã: em 1954 elegeu-se deputado estadual pela UDN, marcando o início de uma das mais tenebrosas carreiras de golpista do Brasil, quiçá do mundo. Dez anos depois, na condição de deputado federal, apoiou o golpe militar que implantou uma sanguinária ditadura no País. Os ditadores de plantão reinstalaram o sistema de capitanias hereditárias no Brasil, e foi assim que ACM, como não poderia deixar de ser, apropriou-se de uma das sesmarias mais cobiçadas do Nordeste: hoje, a mundialmente conhecida Bahia de Antonio Carlos Magalhães, que também atende pelo título de imperador Magá, o malvado.

LEIA COMPLETO...
http://www.lainsignia.org/2006/junio/ibe_029.htm

Sistema da Assembléia Popular da China




Sendo o regime político da China, o sistema da Assembléia Popular é tanto o sistema político básico da China como o tipo de organização do poder político supremo da ditadura democrática popular.

A Assembléia Popular Nacional é determinada pela Constituição chinesa como o órgão do poder nacional supremo. Todos os cidadãos superiores a 18 anos têm o direito para eleger e ser eleito o representante da Assembléia Popular Nacional.

Na China, entre as assembléias populares de diversos níveis, os representantes da assembléia popular do nível de aldeia e distrito são eleitos diretamente. Os representantes com os níveis mais altos são eleitos indiretamente.

A Assembléia Popular Nacional é composta por representantes eleitos em todas as províncias, regiões autônomas, municípios e no exército.

As assembléias populares de todos os níveis têm o mandato de 5 anos e realizam anualmente uma sessão plenária.

http://po.chinabroadcast.cn/chinaabc/chapter1/chapter2/chapter20101.htm

Paradoxo de Russell


Paradoxo de Russell
Esse é um paradoxo matemático, então esteja preparado para um assunto meio seco...

Vou propor um axioma, e você vai me dizer se faz sentido: "Para qualquer propriedade p, existe o conjunto de todas as coisas com essa propriedade."

Parece correto? Lógico, pois para qualquer propriedade que você pensar, sempre existirá o conjunto de todas as coisas com essa propriedade, mesmo que seja um conjunto vazio. Assim, se a propriedade for "ser uma pessoa", o conjunto seria composto de todos os 6 bilhões de habitantes do planeta (e mais os astronautas na International Space Station). Mesmo que a propriedade seja absurda, como "ser um animal sem células," ainda existirá o conjunto: será vazio, mas existirá.

Se eu te convenci, desculpe. A verdade é que o axioma é falso! Existem propriedades para as quais não existe o conjunto de todas as coisas com a aquela propriedade. Não estou dizendo que o conjunto é vazio, estou dizendo que o conjunto não existe mesmo, pois se existisse, mesmo vazio, seria um absurdo.

Qual é esse conjunto? Antes de explicar, preciso apresentar a definição de conjunto extraordinário.

Conjunto extraordinário: É todo conjunto que pertence a si próprio. Por exemplo, o "conjunto de todos os conjuntos" é um conjunto extraordinário, pois é um membro de si mesmo.

Conjunto ordinário: É todo conjunto que não pertence a si próprio. A maioria dos conjuntos com os quais estamos acostumados a lidar é ordinário. Por exemplo, o conjunto de todas as pessoas não é, em si, uma pessoa, e por isso é ordinário.

Agora vamos dizer que a propriedade p é a seguinte: "ser um conjunto ordinário". Existe o conjunto S de todas as coisas com essa propriedade, isto é, o conjunto de todos os conjuntos ordinários?

Se a resposta foi sim, considere o seguinte: Se existir o tal conjunto S, então ele contém todos os conjuntos ordinários, isto é, um conjunto é ordinário se e somente se pertencer ao conjunto S. Certo?

Mas e o próprio conjunto S, é ordinário ou extraordinário? Vamos considerar cada possibilidade.

Se S for ordinário: Bom, se S for ordinário, quer dizer que ele não pertence a si mesmo. Mas dissemos que um conjunto é ordinário se e somente se pertence a S, logo se S não pertence a si mesmo, não pode ser ordinário! Ou seja, S não pode ser ordinário.

Se S for extraordinário: Se S for extraordinário, quer dizer que pertence a si mesmo. Mas dissemos que um conjunto é ordinário se e somente se pertence a S, logo se S pertence a si mesmo, então S é ordinário!

Aí está o absurdo: se supusermos que S é ordinário, chegamos à conclusão que S é extraordinário; e, se supusermos que S é extraordinário, chegamos à conclusão que S é ordinário!

Este é o famoso Paradoxo de Russell.

Por isso, para uma dada propriedade p, não existe necessariamente o conjunto de todas as coisas com essa propriedade.

Pérolas da filosofia moderna


Aqui estão pérolas da filosofia moderna.

Elas estão divididas em dois conjuntos:

As que eu acho engraçadas e vão fazer você rir;
As que eu acho engraçadas mas não vão fazer você rir;
A distinção ocorrerá automaticamente no seu cérebro conforme você for lendo.

Definições
Hipótese: algo que não é, mas que você supõe que é, para ver como seria se fosse.

Matemático: máquina que converte cafeína em teoremas.

Egocêntrico: uma pessoa mais interessada em si mesma do que em mim.

Cientista: pessoa que tenta explicar, em termos que todos compreendem, algo que ninguém sabia antes.

Poeta: pessoa que tenta explicar, em termos que ninguém compreende, algo que todo mundo sabia antes.

Plágio: cópia a partir de uma pessoa.

Pesquisa: cópia a partir de duas ou mais pessoas.

Já parou para pensar?
Opinião moderna: "Não concordo nem discordo, muito pelo contrário..."

Falhas: Herrar é umano.

Queijo Suíço:

quanto mais queijo, mais buracos

Onde há buraco não há queijo, então quanto mais buracos, menos queijo.

Logo, quanto mais queijo, menos queijo!

Placa. Como a placa de "proibido pisar na grama" foi colocada lá?

Algumas argumentações
Especialista é aquele que sabe cada vez mais sobre cada vez menos. Levado ao limite, um hiperespecialista é um cara que sabe absolutamente tudo sobre absolutamente nada.

Frases Filosóficas
"Não sou de todo inútil. Ao menos sirvo de mau exemplo." - Anônimo

"A equipe estava na beira do abismo mas tomou a decisão correta: deu um passo a frente." - técnico de um time de futebol

"Se o cérebro humano fosse simples o suficiente para que pudéssemos entendê-lo, nós seríamos tão burros que não poderíamos." - Anônimo

"A ausência de prova não é prova da ausência" - Michael Crichton

"A vitória é do jogador que comete o penúltimo erro" - Savielly Grigorievitch Tartakower (jogador de xadrez)

"Só duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana, e não tenho nem certeza sobre o universo." - Albert Einstein

"A única diferença entre eu e um lunático é que eu não sou lunático" - Salvador Dali

"A diferença entre 'envolvimento' e 'compromisso' é como um sanduíche de presunto e ovos: a galinha está 'envolvida' e o porco, 'comprometido." - Anônimo

"Eu não fracassei. Eu simplesmente encontrei 10.000 maneiras que não funcionam." - Thomas Alva Edison

"Às vezes é melhor ficar calado e parecer um idiota do que abrir a boca e não deixar nenhuma dúvida." - Anônimo

"É muito melhor ser um louco e sabê-lo com certeza do que ser são e ter dúvidas quanto a isso." - G. B. Burgin

"Homens sábios fazem provérbios; tolos os citam." - Samuel Palmer
---- ei, espere aí!

"O objetivo da guerra não é morrer pelo seu país, e sim fazer o idiota do outro lado morrer pelo dele." - General George Patton

"Se eu fosse duas-caras, estaria usando essa?" - Abraham Lincoln

"Depois que estiver morto, prefiro que as pessoas questionem por quê não tenho um monumento do que por que tenho." - Marcus Porcius Cato (234-149 a.C.)

"Temos que pegar esse time dar um giro de 360 graus." - Jason Kidd, técnico do time Dallas Mavericks

terça-feira, agosto 15, 2006

Candidata ao troféu

A maioria dos chamados "colunistas políticos" da imprensa faz ataques diários ao PT e ao governo Lula. Alguns fazem, também, campanha aberta para Alckmin. Até aí, faz parte, como diria o filósofo. Mas como até o momento Lula segue liderando as pesquisas, alguns destes colunistas começam a exibir sinais de desespero.



Um exemplo disto está na coluna deste 15 de agosto, da jornalista Dora Kramer, intitulada "Agora vai. Ou racha". Nesta coluna, Kramer comenta os objetivos de cada candidatura presidencial neste período da campanha, em que tem início o horário eleitoral gratuito.

Segundo Kramer, "Lula fica com a tarefa de sustentar a dianteira.



Não é fácil. Não se pode comparar a situação dele com a de Fernando Henrique em 1998. A despeito do então presidente já sofrer à época resistências na classe média e ainda contar com apoio nas classes C, D e E por causa do plano de estabilização, FH não tinha de enfrentar questionamentos éticos na proporção dos que atingem a figura de Lula".



Realmente, não se pode comparar Lula com FHC. Afinal, enquanto o primeiro sofre uma enorme oposição dos principais meios de comunicação, o segundo foi beneficiario de uma "blindagem" que evitou a repercussão de casos escabrosos como as privatizações, o caso Sivam e a compra de votos para garantir a reeleição.



Assim, se FHC não teve de enfrentar "questionamentos éticos na proporção dos que atingem a figura de Lula", é porque a "proporção" dos questionamentos é uma variável das decisões tomadas pelos donos dos grandes meios de comunicação e por jornalistas influentes como Dora Kramer. Basta dizer que a mesma emissora de televisão que decidiu, em 1998, não promover debates entre presidenciáveis, em 2006 decidiu sair na frente.



Falando dos debates, Kramer diz que FHC "não foi a debates porque podia escolher não ir e, assim, evitar ser alvo dos ataques dos adversários, notadamente Lula e Ciro Gomes. Tinha mais a perder, mas poderia também ganhar. Lula é diferente, não tem escolha".

Não é chique?! FHC não foi a debates porque "podia escolher". Gente fina é assim: "escolhe". Já Lula, bom, como ele não é gente fina, "não tem escolha".



Segundo Kramer, se FHC fosse, "poderia ganhar". Mas se Lula for, "a perda é certa e inevitável". E por quais motivos mesmo? Vejamos o que diz Kramer: "Primeiro, pelo fato de os assuntos, como mostrou a entrevista do Jornal Nacional,da agenda de questionamentos ao presidente serem todos altamente constrangedores. A corrupção dominaria o debate, com Lula na berlinda".



Mas quem é que define esta "agenda de questionamentos constrangedores ao presidente"? Por coincidência, gente como Alckmin e Dora Kramer. A quem não interessa comparar governos, a quem não interessa debater programas, a quem não interessa nem ao menos discutir segurança e corrupção a sério. O negócio é "constranger" o PT e o governo.



Mas Dora Kramer não pára por aí. Segundo ela, há um segundo motivo pelo qual Lula perderia o debate, se fosse. Vou repetir as palavras de Kramer: "é que Lula, por uma questão de treino, formação político-profissional, personalidade e carência cultural e educacional, não é bom no contraditório. Ele se enerva e se perde ao ser confrontado com questões difíceis, que exigem maior elaboração de raciocínio e até lógica para não cair em contradição".



Não é incrível?! Lula, segundo Kramer, não tem treino, formação política, formação profissional, personalidade, cultura, educação, nervos, elaboração de raciocínio e "até lógica" suficientes para debater.



Para Kramer, Lula não seria nem ao menos autoritário. Na verdade, segundo Kramer, "as acusações de vocação ao autoritarismo são a simplificação de uma realidade subjacente mais complexa". Trocando em miúdos, segundo Kramer, Lula não tem estatura para ser presidente da República. Talvez e olhe lá, para ser torneiro mecânico.



Depois reclamam quando a gente fala que esse pessoal tem preconceito de classe. O preconceito deles é tão grande que já virou cegueira e autismo. Mas nesta loucura, há também cálculo. Nos próximos 45 dias, para tentar vencer, eles vão lançar mão de todo o arsenal contra nós. O título do artigo de Kramer é elucidativo: "Agora vai. Ou racha".



Seja como for, a prestigiosa colunista já é forte candidata ao troféu que já foi de Ruth Escobar e de Regina Duarte.



Valter Pomar
Secretário de relações internacionais do PT

Heloísa, a histriônica

Por Ernesto Marques

No ano passado, o deslocamento de vários dos melhores intelectuais, quadros partidários e militantes de base do PT para alternativas à esquerda - ou pretensamente à esquerda - foi, sem dúvida, um sério abalo ao partido, que perdeu parte de seu extrato original. Mas o PT continua sendo um grande partido na política nacional, importante no jogo do poder, independente de quem se eleja presidente. Por outro lado, se conseguiu sobreviver a longos meses de bombardeio midiático com más notícias e três CPIs alimentando a fornalha, o partido de Lula gerou rebentos como o PSOL.



A sigla parida na dor da senadora Heloísa Helena ao ser expulsa do PT, carrega o que há de melhor e de pior no DNA petista. Cresci ouvindo a sabedoria popular dizer "quem herda não furta" - é verdade, absoluta verdade. Passado bem pouco tempo do instante entre gestação e parto, a militância do PSOL já vai viver uma talvez dolorosa prova de maioridade política. E quem vai colocar essa "companheirada" boa de luta na parede, ironicamente, é a histriônica candidata Heloísa Helena.



Comecei a pensar neste artigo ainda na semana passada, com a idéia inicial de abordar as contradições em torno da candidatura Heloísa Helena. Fazia conjecturas - nada, além disso, óbvio - sobre como essas contradições seriam sentidas pela militância do PSOL. Mas, antes de fechar o texto, queria ver a performance da candidata no Jornal Nacional. A contradição central é a descoberta de que o novo partido tem uma grande deformação congênita: o personalismo. Há razões históricas para justificar a centralidade e o peso da figura do presidente Lula em relação ao PT. O homem e o partido são duas instituições nacionais, queiram ou não os antipetistas mais empedernidos.



Já a relação entre Heloísa Helena e o seu partido-filho, gerado no ventre de uma personalidade política violentada em seus princípios, é totalmente diferente. Edipiana, talvez. Até aí, tudo bem. Mas o que suponho cortante, será a constatação, à minha vista muito próxima, de como o traço personalista se revela em cena, na cena pública, com os mesmos trejeitos de candidatos que bem poderiam estar incluídos entre os tais "delinqüentes da política".



Muitos dos mais valorosos militantes do PSOL são fundadores do PT. Sabem, desde a juventude, que um partido não se constitui em alternativa de poder de uma hora para a outra. É obra de uma vida. Não há hipótese de vingar, uma versão vermelha do PRN que elegeu Collor. Em comum nos dois casos, apenas o discurso moralista como norte da cruzada pessoal do caçador de marajás, em 1989, e da incansável perseguidora dos "delinqüentes da política" de hoje.



Outro dia ouvi uma amiga se referir a Heloísa Helena como "o braço esquerdo da direita". Discordo. A expressão sugere a idéia de alguém que se deixa usar em favor de outro, ou que está a serviço de outro. A não ser por obra e graça de um fenômeno eleitoral raro, à candidata do PSOL está reservado um honroso terceiro lugar na corrida presidencial. Mas a performance do tucano, de tão sofrível, anima as expectativas do PSOL. A candidata realmente acredita que pode passar Alckmin e ainda disputar o segundo turno. Até aqui as pesquisas demonstraram, principalmente as mais recentes, que HH e Alckmin disputam os mesmos votos. E se for assim, o segundo turno continua como hipótese menos provável.



Fato concreto é que a campanha cresce entre os mais ricos e mais escolarizados. Portanto, na busca por uns pontinhos a mais, é melhor começar a esquecer algumas coisas que a candidata já disse. A entrevista no Jornal Nacional prenunciou o que talvez explicará o naufrágio, mais adiante. A senadora, arrisco o palpite, será vítima do seu histrionismo e o seu partido, vítima do personalismo da candidata.



A psicanálise define o Transtorno da Personalidade Histriônica como um padrão invasivo de emocionalidade excessiva e comportamento de busca de atenção, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos. O termo poderia se aplicar à personalidade política da senadora. O talento em produzir cenas de efeito vem de há muito, e já foram incorporados ao seu estilo pessoal. Quem a conhece apenas pela imprensa já viu lágrimas e pedras rolarem em profusão, e por muitas vezes. Se as lágrimas comovem, transmitem sofrimento e sinceridade, as tantas pedras lançadas ao alto nos discursos gritados, fatalmente cairão - pelo menos algumas - sobre a cabeça. Quando rotula os adversários de "sabotadores do desenvolvimento nacional, delinqüentes da política", entre outras pérolas, HH se exclui de tudo de ruim que existe na classe política. Pura mesmo, só ela, verdadeira avis rara.



"Não sou cínica nem mentirosa", disparou da telinha da Globo. Mas, perguntada se pretende expropriar até mesmo de terras produtivas para fazer a reforma agrária em ritmo e qualidade suficiente para evitar as ocupações de órgãos públicos, Heloísa Helena negou e jurou fidelidade à legislação em vigor. Mas a expropriação de terras produtivas e improdutivas está no programa do PSOL. A senadora tenta enganar sua militância, toda a sociedade brasileira, ou virou uma candidata da ordem, fiel ao legalismo? Fazer reforma agrária capaz de silenciar os movimentos de luta pela terra é impossível dentro de um ordenamento jurídico que dá vida eterna à concentração fundiária.



Há outros dramas, como a controversa posição sobre o aborto, por exemplo. Uma coisa é a senadora exercer o seu direito de se posicionar contra o aborto. Outra coisa é passar por cima do mesmo direito de quem pensa diferente com declarações do tipo "não há nada mais primitivo do que o aborto". O que dizer do processo movido contra a ex-prefeita de Maceió, Kátia Born, homossexual assumida, "por sua vida sexual atípica", quando ambas disputavam o governo daquela capital? A candidata que beija crianças e cândidas velhinhas com a desenvoltura comum aos políticos tradicionais, aos delinqüentes da política, é a mesma que veste gibão e jaleco de couro como afirmação de sua nordestinidade, que monta em jegue, como fez FHC, e com certeza não resistiria a uma buchada de bode, principalmente se fotógrafos e cinegrafistas estivessem por perto.



É a mesma que, diante das câmeras, separa programa de partido de programa de governo, compromissos de partido de compromissos de governo. É a mesma que pouco antes da posse de Lula, aceitou pousar para uma patética e preconceituosa reportagem de capa de Veja, sob o título "os radicais do PT". Mais quinze minutos de fama. Os radicais do PT continuam no PT, tensionando partido e governo pela esquerda e assim, influenciando para que Lula faça um segundo governo mais petista. Já os radicais do PSOL têm motivos de sobra para colocar as barbas de molho. As contradições tendem a aumentar quando uma liderança ameaça se tornar maior do que o partido.



Ernesto Marques é jornalista e diretor da Associação Bahiana de Imprensa

domingo, agosto 06, 2006

Ações acertadas do Governo Federal quebraram a cara de muitos escravagistas

Em discurso para uma platéia de empresários e profissionais liberais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na noite desta sexta-feira (4), que continuará investindo na redução das desigualdades, no crescimento econômico e na construção de um país mais justo, caso seja reeleito.

“O nome de meu possível segundo mandato será desenvolvimento, com distribuição de renda e educação de qualidade”, afirmou Lula, num dos momentos mais aplaudidos pela platéia.

“Vivemos o mais longo ciclo de crescimento em 19 anos. Há 35 meses a economia não sofre abalos”, destacou o presidente. Ele falou dos bons indicadores da produção, do emprego e dos salários obtidos em três anos e meio de mandato, e da combinação inédita de crescimento com distribuição de renda.

Lula salientou que seu eventual segundo governo continuará trabalhando para manter a estabilidade da economia. “Temos tudo para crescer mais rápido, mas não podemos descuidar. Temos de continuar fazendo determinados esforços”.

“O risco-país estava altíssimo e o crédito havia secado. Hoje, as reservas em dólares são maior do que a dívida externa pública”, disse. Também lembrou que, há três anos, os juros caíam no mundo e subiam no Brasil, enquanto hoje ocorre o contrário.

“Redobrarmos os esforços para melhorar o ambiente econômico”, disse. Depois, completou: “Chega de idas e vindas. Chega de crise a cada dois ou três anos”.

Participaram do evento lideranças dos setores da construção civil, transportes, têxtil, atacadista, financeiro e agronegócio, entre outras atividades, além de micro e pequenos empresários e profissionais liberais. Também estava presente o presidente da Ordem dos Economistas do Brasil, Francisco Coelho, e outras figuras de destaque do pensamento econômico, entre eles Luiz Gonzaga Belluzo e Luciano Coutinho.

As ações acertadas do Governo Federal quebraram a cara de muitos escravagistas que apostavam no quanto pior melhor.

Lula diz que adversários só enxergam pobres em época de eleição

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, disse neste sábado (5), durante comício em São Paulo, que governar bem significa usar a razão e o coração.

“Esses que me atacam devem ter estudado mais do que um metalúrgico. Mas o que eles não sabem é que, para governar bem, é necessário usar não só a cabeça, mas também o coração”, afirmou Lula, provocando o entusiasmo das cerca de quatro mil pessoas que lotaram a praça do Largo de São Matheus, zona leste da capital paulista.

O local tem grande valor simbólico para Lula, que nele realizou o seu primeiro comício político-partidário, em 82, quando foi candidato ao governo paulista.

O presidente abriu o pronunciamento assegurando: “Posso olhar para cada um de vocês sabendo que não fiz tudo o que queria, mas certamente fazendo muito mais do que se esperava. Quatro anos de trabalho é pouco tempo. Mas o Brasil mudou mais nesse período do que nos últimos dez, 40 ou 50 anos”.

Segundo Lula, é exatamente por isso que ele tem sofrido tantos ataques da oposição. “Eles pensavam que o meu governo seria um desastre e quebraram a cara. Eles também sabem que estamos só começando o nosso trabalho. Que o Brasil vai avançar ainda mais. Por isso, estão tão nervosos”.

Disse tambem que seus adversários só enxergam os pobres em época de eleição. "Depois, eles viram estatística”. Lula citou os últimos 12 anos de governo tucano em São Paulo como exemplo de falta de compromisso com os mais carentes.